Estou quase chegando à conclusão de que essa história de saber viver não é a grande sacada da vida, como dizem as correntes de apresentações de slides, os best-sellers de auto-ajuda ou aquelas pessoas sempre dispostas a aconselhar. Não, não discordo de que toda essa coisa de viver hoje, apreciar as pequenas coisas bonitas, tornar o cotidiano mais leve, ter consigo as pessoas queridas, (e toda uma lista indizível) seja importante. Tudo isso contribui para que nossa balança tenha saldo positivo no fim do dia e, se não tiver, ainda é possível que se extraia um aprendizado dele.
Mas tenho prestado ao segundo dogma preferido dos já citados slides e best-sellers: o tempo. Só não gosto de como o tema é tratado. Não acho que o tempo faça milagres. Simplesmente você é que escolhe ficar sofrendo o resto da vida por uma decepção, perda ou frustração (que, no fundo, são o mesmo: as coisas não saíram como você queria), ou, ao contrário, em algum momento se cansa dessa dor e resolve continuar andando. Aí, amigo, o tempo não fez nada; você que fez.
Na verdade, tenho pensado no tempo não como vivência, mas como pausa. Não, o mundo não pára de girar quando bem entendemos, mas podemos (e devemos) congelar algumas partes por certos períodos. Esse intervalo serve para olhar pro acontecido e fechar um ciclo, para que outro possa ser iniciado. É só essa consciência de que um ciclo se fecha para que outro se abra que legitima o papel do tempo na nossa vida. Por isso a pausa.
Em geral, não lidamos bem com lacunas, pausas, brancos, vazios. São carregados de valores negativos. Mas permitem que sua atenção não esteja ocupada demais com outras atividades ou seres e possa reparar nos acontecimentos. De fato, nem acho que se deva ficar pensando nos problemas. Mas, se alguma coisa vai mal, pause esse setor. Olhe para a cena (ou cenas) congelada e se pergunte se alguma coisa pode ser feita com relação a ela. Não? Continue.
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