Há exatos 100 anos morria Joaquim Maria Machado de Assis. Mulato, pobre, gago e epilético. Um dos maiores, e há quem diga, o maior escritor brasileiro de todos os tempos.
Filho de pintor de paredes descendente de escravos alforriados e de lavadeira, passou a infância numa chácara na Ladeira Nova do Livramento, no Rio de Janeiro, onde a família vivia como agregada. Não freqüentou a escola regular. Aprendeu francês com a proprietária de uma padaria e, pelo que se tem notícia, aos 15 anos já dominava o idioma (chegou a traduzir Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, ainda na juventude). Estudou inglês e alemão como autodidata (traduziu o poema O corvo, de Edgar Allan Poe).
Machado de Assis começou a carreira como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, quando Manuel Antônio de Almeida era o diretor. Aos 15 anos estréia como escritor, publicando o poema Ela na revista Marmota Fluminense. Os jornais eram uma importante forma de circulação de cultura em sua época, e Machado se consolidou como cronista (é considerado o inventor do gênero), contista, crítico literário e poeta mesmo antes de se firmar como grande romancista. Sua estréia em livro ocorre em 1864, com Crisálidas (poesia).
À época de seu casamento com Carolina Augusta Xavier de Novais, em novembro de 1869, o escritor era um típico homem de letras bem-sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público. Em 1873, é nomeado primeiro oficial do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, dando-lhe a estabilidade na carreira burocrática que seria seu principal meio de subsistência.
Machado conciliou o funcionalismo público e o jornalismo por toda a sua vida. Eram os dois pilares sobre os quais o homem deveria se apoiar em sua opinião. Era um homem político, apesar de não partidário. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897. Explorou o romance psicológico, a ironia, o pessimismo, o universal. Não defendeu um ponto de vista: analisou vários.
Seus críticos o acusam de negligenciar questões nacionais importantes como o abolicionismo e a República. Porém, há quem defenda que Machado de Assis, com suas inúmeras inovações, foi o primeiro escritor brasileiro universal.
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