terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira 1

A estréia do ano (pra mim e acho que pra muita gente) foi Ensaio sobre a cegueira (Blindness - Brasil, Japão e Canadá, 2008), do diretor brasileiro mais aclamado atualmente, Fernando Meirelles. O filme é baseado no romance homônimo do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, publicado em 1995.
Trata de uma cegueira branca que se alastra por contato direto com alguém "infectado". O primeiro cego (Yusuke Iseya) está parado em seu carro num farol vermelho de cruzamento. De repente, fica envolto num "mar de leite". A partir de então, todos os que tiveram contato com ele também mergulham nessa névoa espessa, incluindo o médico oftalmologista (Mark Ruffalo) que o atende e é o primeiro a relatar o caso às autoridades. No consultório, há uma "rapariga de óculos escuros" (Alice Braga), um rapazinho acompanhado da mãe (Mitchell Nye), um velho com uma venda preta (Danny Glover). Todos eles, mais a mulher do médico (Julianne Moore), que não chega a cegar, e a mulher do primeiro cego (Yoshino Kimura) vão formar uma espécie de família no manicômio onde serão trancados em quarentena. Ali, esses primeiros cegos vão recebendo mais e mais atingidos pelo mal branco até que todas as alas ficam lotadas, os banheiros estão imundos, a comida falta, os pudores estão diminuídos. Instaura-se um regime de exceção em que, ainda, aparece um cego que explora outros cegos (Gael García Bernal) e que conta com a ajuda de um cego de nascimento (Maury Chaykin).
Assim, a narrativa segue de forma a simular a nova sociedade que surgiria de um mundo onde todos são cegos. Os instintos se afloram, as necessidades mudam, a moral é reavaliada. O que há de mais primitivo no ser humano é trazido à tona e as pessoas são chamadas a tomar (novas) decisões. Como seria o mundo de cegos? Como se há de conhecer as coisas? Como seria enxergar, como a mulher do médico, quando ninguém mais enxerga?

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