perdido está?
perdido estou
por onde eu vá
não sei quem sou
para que a pá?
cavar eu vou
ver o que há
que se enterrou
mas por que cá?
o que restou
se apagará
ou se apagou
(Rafael Craice. Perdido)
terça-feira, 24 de março de 2009
Prêmio e preço
O fundo do mar guarda surpresas e maravilhas, mas o risco de se meter um escafandro e mergulhar... é bastante alto.
domingo, 22 de março de 2009
Travessia
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
(Fernando Pessoa)
sábado, 21 de março de 2009
Galeria moderna e igreja medieval
(...) o espaço da galeria moderna como "construído segundo preceitos tão rigorosos quanto os da construção de uma igreja medieval". O princípio fundamental desses preceitos (...) é o de que "o mundo exterior não deve entrar, de modo que as janelas geralmente são lacradas. As paredes são pintadas de branco. O teto torna-se a fonte de luz (...). A arte é livre, como se dizia, 'para assumir vida própria'". O propósito desse ambiente não difere do propósito das construções religiosas - as obras de arte, como as verdades da religião, devem parecer "intocadas pelo tempo e suas vicissitudes". O princípio de aparência extemporânea, ou atemporal, implica a pretensão de que a obra já pertence à posteridade - quer dizer, é uma garantia de bom investimento. Mas ele afasta as coisas da contemporaneidade da vida, a qual, afinal, se desenrola no tempo. "A arte existe numa espécie de eternidade de exposição e, embora haja muitos 'períodos', (...) não existe o tempo. Essa eternidade dá à galeria uma condição de limbo; é preciso já ter morrido para estar lá".
(Thomas McEvilley. In: Brian O'Doherty. No interior do cubo branco)
quarta-feira, 4 de março de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)