Deus faz surgir uma falta no homem,
quando quer arruinar por completo uma casa.
(Ésquilo. In: A República, de Platão)
terça-feira, 30 de setembro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
A alma de Pessoa
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa. Não sei quantas almas tenho)
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa. Não sei quantas almas tenho)
A alma de Clarice
Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
(Clarice Lispector)
Sentimental
Quem liberta o furacão?
Desamarra o mar da praia?
Desarruma o rumo, entorta o prumo,
Erra sem destino, amor?
Quem desata o céu da terra,
Desfere a flecha, rasga o ar?
Tire a luz da treva, razão aterra,
Erra, desatina, amor?
Quem move o mundo apenas sendo
Sentimental
Quem me tira o chão dos pés?
E movimenta as mares, quem?
Semeia o pé de vento do pensamento,
Erra sem destino, amor?
Desintegra o grão na terra,
Desagrega o coração,
Tira o véu dos olhos,
Desperta os poros,
Erra, desatina, amor?
Quem move o mundo todo apenas sendo
Sentimental
Quem desarrazoa, quem?
Abraça o rio, arrasta o raio, quem?
Avassala o medo, repete o erro,
Erra sem destino, amor?
Faz qualquer coisa de mim,
Quebra a pedra com seu sim,
Arrepia o pelo,
Derrete o gelo,
Erra, desatina, amor?
Quem move o mundo todo sendo
Sentimental
(Lenine. Sentimental)
O quanto eu te falei que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar,
falar do que foi pra você,
Não vai me livrar de viver !
Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar
De tanto eu te falar, você subverteu
O que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir
Ela é mais sentimental que eu!
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais
"Se ela te fala assim, com tantos rodeios,
é pra te seduzir
e te ver buscando o sentido
daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir... e rir.
(Rodrigo Amarante. Sentimental)
Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que sente
Fica doente mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto outro outro alguém
Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúme
Hoje contei as estrelas
E a vida parece um filme
Gemini, gemini, geminiano
Este ano vai ser o seu ano
Ou se não, o destino não quis
Ah, eu ei de ser
Terei de ser
Serei feliz
Serei feliz, feliz
Façam muitas manhãs
Que se o mundo acabar
Eu ainda não fui feliz
Atrapalhem os pés
Dos exércitos, dos pelotões
Eu não fui feliz
Desmantelem no cais
Os navios de guerra
Eu ainda não fui feliz
Paralisem no céu
Todos os aviões
É urgente, eu não fui feliz
Tenho dezesseis anos
Sou morena clara, atraente
(Chico Buarque. Sentimental)
Desamarra o mar da praia?
Desarruma o rumo, entorta o prumo,
Erra sem destino, amor?
Quem desata o céu da terra,
Desfere a flecha, rasga o ar?
Tire a luz da treva, razão aterra,
Erra, desatina, amor?
Quem move o mundo apenas sendo
Sentimental
Quem me tira o chão dos pés?
E movimenta as mares, quem?
Semeia o pé de vento do pensamento,
Erra sem destino, amor?
Desintegra o grão na terra,
Desagrega o coração,
Tira o véu dos olhos,
Desperta os poros,
Erra, desatina, amor?
Quem move o mundo todo apenas sendo
Sentimental
Quem desarrazoa, quem?
Abraça o rio, arrasta o raio, quem?
Avassala o medo, repete o erro,
Erra sem destino, amor?
Faz qualquer coisa de mim,
Quebra a pedra com seu sim,
Arrepia o pelo,
Derrete o gelo,
Erra, desatina, amor?
Quem move o mundo todo sendo
Sentimental
(Lenine. Sentimental)
O quanto eu te falei que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar,
falar do que foi pra você,
Não vai me livrar de viver !
Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar
De tanto eu te falar, você subverteu
O que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir
Ela é mais sentimental que eu!
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais
"Se ela te fala assim, com tantos rodeios,
é pra te seduzir
e te ver buscando o sentido
daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir... e rir.
(Rodrigo Amarante. Sentimental)
Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que sente
Fica doente mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto outro outro alguém
Ontem vi tudo acabado
Meu céu desastrado
Medo, solidão, ciúme
Hoje contei as estrelas
E a vida parece um filme
Gemini, gemini, geminiano
Este ano vai ser o seu ano
Ou se não, o destino não quis
Ah, eu ei de ser
Terei de ser
Serei feliz
Serei feliz, feliz
Façam muitas manhãs
Que se o mundo acabar
Eu ainda não fui feliz
Atrapalhem os pés
Dos exércitos, dos pelotões
Eu não fui feliz
Desmantelem no cais
Os navios de guerra
Eu ainda não fui feliz
Paralisem no céu
Todos os aviões
É urgente, eu não fui feliz
Tenho dezesseis anos
Sou morena clara, atraente
(Chico Buarque. Sentimental)
Centenário de morte de Machado de Assis
Há exatos 100 anos morria Joaquim Maria Machado de Assis. Mulato, pobre, gago e epilético. Um dos maiores, e há quem diga, o maior escritor brasileiro de todos os tempos.
Filho de pintor de paredes descendente de escravos alforriados e de lavadeira, passou a infância numa chácara na Ladeira Nova do Livramento, no Rio de Janeiro, onde a família vivia como agregada. Não freqüentou a escola regular. Aprendeu francês com a proprietária de uma padaria e, pelo que se tem notícia, aos 15 anos já dominava o idioma (chegou a traduzir Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, ainda na juventude). Estudou inglês e alemão como autodidata (traduziu o poema O corvo, de Edgar Allan Poe).
Machado de Assis começou a carreira como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, quando Manuel Antônio de Almeida era o diretor. Aos 15 anos estréia como escritor, publicando o poema Ela na revista Marmota Fluminense. Os jornais eram uma importante forma de circulação de cultura em sua época, e Machado se consolidou como cronista (é considerado o inventor do gênero), contista, crítico literário e poeta mesmo antes de se firmar como grande romancista. Sua estréia em livro ocorre em 1864, com Crisálidas (poesia).
À época de seu casamento com Carolina Augusta Xavier de Novais, em novembro de 1869, o escritor era um típico homem de letras bem-sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público. Em 1873, é nomeado primeiro oficial do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, dando-lhe a estabilidade na carreira burocrática que seria seu principal meio de subsistência.
Machado conciliou o funcionalismo público e o jornalismo por toda a sua vida. Eram os dois pilares sobre os quais o homem deveria se apoiar em sua opinião. Era um homem político, apesar de não partidário. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897. Explorou o romance psicológico, a ironia, o pessimismo, o universal. Não defendeu um ponto de vista: analisou vários.
Seus críticos o acusam de negligenciar questões nacionais importantes como o abolicionismo e a República. Porém, há quem defenda que Machado de Assis, com suas inúmeras inovações, foi o primeiro escritor brasileiro universal.
sábado, 27 de setembro de 2008
Clarice
Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o âmago dos outros: e o âmago dos outros era eu.
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
Sábado
Tinha tudo para ser um dia normal. Um sábado normal. Resolver obrigações, dar umas voltas, ir ao cinema, voltar para casa com sensação de dever cumprido e com questões leves (talvez até lúdicas na cabeça). Sentar aqui, ao fim do dia, e escrever sobre alguma dessas questões.
Mas o dever não foi cumprido. Houve conversa - até inusitada - como num talk show, diria um. Houve café, cigarros. Houve vidro estilhaçado. Tremedeira.
Cheguei em casa e tive um momento epifânico. Percebi que alguma coisa doía e, em seguida, senti medo. Medo da coisa que mais desejo agora. Como pode ser isso? Como é possível sentir medo daquilo que mais se quer?
Tudo por um plano alterado...
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Sentir tudo de todas as maneiras
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(Fernando Pessoa)
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(Fernando Pessoa)
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Quase nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho
Será um atalho?
Ou um desvio?
Um rio raso?
Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro, madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho
Será um atalho?
Ou um desvio?
Um rio raso?
Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
(Zeca Baleiro. Quase nada)
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho
Será um atalho?
Ou um desvio?
Um rio raso?
Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro, madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho
Será um atalho?
Ou um desvio?
Um rio raso?
Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
(Zeca Baleiro. Quase nada)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
Sobre digestão
Cada um sabe bem o aroma que desperta seu apetite.
Cada um sabe bem o sabor suculento que tem esse aroma.
Sabe bem como esse alimento desce pela garganta e atinge o estômago.
Sabe o peso que tem a massa ali sendo digerida.
Sabe os gases que ela provoca.
Sabe a náusea.
Sabe as cólicas.
E todo o mal cheiro da merda resultante.
Cada um sabe bem o sabor suculento que tem esse aroma.
Sabe bem como esse alimento desce pela garganta e atinge o estômago.
Sabe o peso que tem a massa ali sendo digerida.
Sabe os gases que ela provoca.
Sabe a náusea.
Sabe as cólicas.
E todo o mal cheiro da merda resultante.
Estou cansado
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
(Álvaro de Campos. Estou cansado)
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
(Álvaro de Campos. Estou cansado)
sábado, 20 de setembro de 2008
Comida e sexo
Comer é uma necessidade vital. Sexo é uma necessidade vital. Além de vitais, são prazerosas também. Há quem diga que o homem, e só ele dentre os seres vivos, foi capaz de transformar as duas atividades mais essenciais para a sobrevivência em prazer: alimentar-se e reproduzir-se. Então, é perfeitamente possível (e, às vezes, desejável) que comamos e façamos sexo por deleite. Talvez daqui nasça (ou se explicite) o mal contemporâneo mais pertinente e, provavelmente, mais contundente, que seria a dificuldade de lidar com desejos que surgem de necessidades meramente fisiológicas.
Assim como a fome, não se pode evitar o tesão; apesar de que se possa reprimi-lo mais fácil e eficazmente. E há mesmo quem viva uma vida sem sexo, quando viver sem comida é impossível. Mas acho que o que inquieta mesmo é essa dualidade entre necessidade e prazer. Necessário aqui é o indispensável, o inevitável, que não pode ser diferente do que é. Do mesmo modo, entende-se por prazer a sensação agradável que resulta da atividade satisfeita, o divertimento, a alegria.
As duas atividades em questão, assim, são indispensáveis: a vida não pode ser sem elas. Qual o problema no divertir-se com elas? Nenhum. Ao contrário!
Na minha opinião, o problema é, na verdade, o não divertir-se. Mais: é o não poder divertir-se. Mais (e pior) ainda: sentir culpa por se divertir comendo e/ou fazendo sexo. Daí vêm os distúrbios de alimentação e os relacionamentos malogrados, as fontes das principais queixas ouvidas desde os botecos até os consultórios médicos, passando pelos salões de cabeleireiros e programas de televisão. São dietas, remédios, tratamentos, discussões, técnicas alternativas, mudanças de hábitos... tudo para aprender a sentir prazer! Tudo para conquistar a soberania sobre si mesmo, enquanto a resposta talvez não esteja em ganhar o controle, mas em perdê-lo...
Ilusão e sagrado
Nosso tempo, sem dúvida . . . prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. . . O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.
(Feuerbach. Prefácio à segunda edição de "A Essência do Cristianismo". In: DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo)
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Todo carnaval tem seu fim
Todo dia um Ninguém José acorda já deitado
Todo dia, ainda de pé, o Zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo
Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco?
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz
(Marcelo Camelo. Todo carnaval tem seu fim)
Todo dia, ainda de pé, o Zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo
Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco?
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz
(Marcelo Camelo. Todo carnaval tem seu fim)
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira 2
Adaptar literatura para cinema já carrega um estigma negativo e é quase sempre uma tarefa malograda. Ainda mais se tratando de Saramago. Mas acho que o roteirista Don McKellar (O violino vermelho), que atua como o ladrão no filme, se saiu bem. Preservou passagens fundamentais (às vezes até reproduzindo diálogos fielmente), cortou o que seriam excessos para um filme: realmente adaptou o romance para o cinema.
A linguagem fragmentária e muitas vezes caótica de Meirelles também foi uma boa solução para fazer paralelo com o texto de Saramago. O português escreve de forma que o ritmo dos acontecimentos é refletido nas vírgulas e pontos, chegando a deixar faltar ar ao leitor quando a velocidade dos fatos é muito grande. O brasileiro usa uma seqüência de cenas rápidas e aparentemente desconexas para mostrar o surgimento da cegueira e como se alastrou. Isso se mantém até o confinamento dos "infectados" no manicômio estatal, quando as imagens, no caso de Meirelles, e as frases, no caso de Saramago, ficam mais lentas. É o momento em que as personagens deixam de contemplar o mal branco se difundindo passivamente e passam a atuar nas condições em que se encontram. Assim, escritor e cineasta simulam a sensação de que o novo (desconhecido e assustador) passa como um turbilhão diante dos olhos.
A própria escolha de Julianne Moore para viver a mulher do médico indica uma leitura acertada de Meirelles. Acho que como a maioria dos leitores, eu tinha imaginado a personagem como uma portuguesa típica. Mas, no filme, ela é branca e ninguém mais é tão branco, e isso é totalmente coerente com o fato de que ela é a única que não é vista. É só mais branco no branco da cegueira geral.
Outro ponto positivo do filme é o uso de imagens com contraste exagerado, com brilho quase ofuscante, com figuras desfocadas convivendo com as perfeitamente focadas. Os espelhos e vidros também foram bastante utilizados para criar imagens duplicadas, explicitando a fragilidade que pode ter nossa percepção visual do mundo. Tudo isso com câmeras postas em locais inusitados, closes intimistas, fotografia bem construída. Quadros mais delicados e bonitos do que chocantes.
Parece que Meirelles quis fazer um filme sobre não ver bastante apoiado no aspecto visual do cinema. Talvez tenha negligenciado um pouco a profundidade dos questionamentos da narrativa de Saramago, que penetra nas entranhas humanas. Mas aí vale lembrar que leituras são pessoais e que determinada linguagem tem exigências peculiares, diversas das de outros meios. Então, fica confirmado que é bacana ler um e ver outro.
A linguagem fragmentária e muitas vezes caótica de Meirelles também foi uma boa solução para fazer paralelo com o texto de Saramago. O português escreve de forma que o ritmo dos acontecimentos é refletido nas vírgulas e pontos, chegando a deixar faltar ar ao leitor quando a velocidade dos fatos é muito grande. O brasileiro usa uma seqüência de cenas rápidas e aparentemente desconexas para mostrar o surgimento da cegueira e como se alastrou. Isso se mantém até o confinamento dos "infectados" no manicômio estatal, quando as imagens, no caso de Meirelles, e as frases, no caso de Saramago, ficam mais lentas. É o momento em que as personagens deixam de contemplar o mal branco se difundindo passivamente e passam a atuar nas condições em que se encontram. Assim, escritor e cineasta simulam a sensação de que o novo (desconhecido e assustador) passa como um turbilhão diante dos olhos.
A própria escolha de Julianne Moore para viver a mulher do médico indica uma leitura acertada de Meirelles. Acho que como a maioria dos leitores, eu tinha imaginado a personagem como uma portuguesa típica. Mas, no filme, ela é branca e ninguém mais é tão branco, e isso é totalmente coerente com o fato de que ela é a única que não é vista. É só mais branco no branco da cegueira geral.
Outro ponto positivo do filme é o uso de imagens com contraste exagerado, com brilho quase ofuscante, com figuras desfocadas convivendo com as perfeitamente focadas. Os espelhos e vidros também foram bastante utilizados para criar imagens duplicadas, explicitando a fragilidade que pode ter nossa percepção visual do mundo. Tudo isso com câmeras postas em locais inusitados, closes intimistas, fotografia bem construída. Quadros mais delicados e bonitos do que chocantes.
Parece que Meirelles quis fazer um filme sobre não ver bastante apoiado no aspecto visual do cinema. Talvez tenha negligenciado um pouco a profundidade dos questionamentos da narrativa de Saramago, que penetra nas entranhas humanas. Mas aí vale lembrar que leituras são pessoais e que determinada linguagem tem exigências peculiares, diversas das de outros meios. Então, fica confirmado que é bacana ler um e ver outro.
Ensaio sobre a cegueira 1
A estréia do ano (pra mim e acho que pra muita gente) foi Ensaio sobre a cegueira (Blindness - Brasil, Japão e Canadá, 2008), do diretor brasileiro mais aclamado atualmente, Fernando Meirelles. O filme é baseado no romance homônimo do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, publicado em 1995.
Trata de uma cegueira branca que se alastra por contato direto com alguém "infectado". O primeiro cego (Yusuke Iseya) está parado em seu carro num farol vermelho de cruzamento. De repente, fica envolto num "mar de leite". A partir de então, todos os que tiveram contato com ele também mergulham nessa névoa espessa, incluindo o médico oftalmologista (Mark Ruffalo) que o atende e é o primeiro a relatar o caso às autoridades. No consultório, há uma "rapariga de óculos escuros" (Alice Braga), um rapazinho acompanhado da mãe (Mitchell Nye), um velho com uma venda preta (Danny Glover). Todos eles, mais a mulher do médico (Julianne Moore), que não chega a cegar, e a mulher do primeiro cego (Yoshino Kimura) vão formar uma espécie de família no manicômio onde serão trancados em quarentena. Ali, esses primeiros cegos vão recebendo mais e mais atingidos pelo mal branco até que todas as alas ficam lotadas, os banheiros estão imundos, a comida falta, os pudores estão diminuídos. Instaura-se um regime de exceção em que, ainda, aparece um cego que explora outros cegos (Gael García Bernal) e que conta com a ajuda de um cego de nascimento (Maury Chaykin).
Assim, a narrativa segue de forma a simular a nova sociedade que surgiria de um mundo onde todos são cegos. Os instintos se afloram, as necessidades mudam, a moral é reavaliada. O que há de mais primitivo no ser humano é trazido à tona e as pessoas são chamadas a tomar (novas) decisões. Como seria o mundo de cegos? Como se há de conhecer as coisas? Como seria enxergar, como a mulher do médico, quando ninguém mais enxerga?
domingo, 14 de setembro de 2008
Amigos de infância
Amigos geralmente são aquelas pessoas que possuem afinidades e que gostam de tê-las. Você diz que o cara é seu amigo porque gosta do mesmo tipo de música, porque curte ir ao estádio também, porque aprecia a comida daquele restaurante. Ou todas essas coisas juntas. Todas essas e muitas outras.
O problema é o amigo de infância. Ele não gosta do Chico como você, odeia futebol e não suporta comida japonesa. Ele não seguiu a mesma profissão que você, não se preocupa com o aquecimento global e, muitas vezes, nem mora na mesma cidade que você. Como raios vocês vão conversar?
Seria uma pergunta sem resposta, não fosse o fato de vocês terem crescido juntos. Ele estava lá quando você caiu do telhado tentando pegar uma bola, estava lá quando deu seu primeiro beijo, estava lá quando ficou de recuperação e não queria contar pros seus pais. Era ele sempre lá, talvez sem você nem se dar conta.
Amigos de infância não são amigos por afinidade. Às vezes o são, mas geralmente não. Eles são amigos porque estavam ali junto quando alguma coisa aconteceu, ou porque estudavam com você, ou porque moravam na sua rua. São amigos pelas circunstâncias, mas ficam pela vida inteira.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Eu amo tudo que foi
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
(Fernando Pessoa)
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
(Fernando Pessoa)
Com açúcar, com afeto
Passou-lhe pela cabeça: talvez aquele pudim de leite, receita da avó, o mantivesse em casa. Era tudo o que ela queria, tê-lo com ela. Seria o doce, disse olhando para o marido que sorria pendurado na parede.
Todos os dias ele saía operário e voltava vagabundo. A busca pelo pão era sempre interrompida por um amigo que o chamava para mais uma, e outra. E eram tantos os bares nesse caminho... Quaisquer motivos eram motivos para comemorar.
E as saias, quantas saias! Passando com a pele dourada e o frescor da brisa... E ela ali, preparando o jantar. O samba cessa alguma hora, é preciso feijão e, talvez, açúcar então.
Eis que volta à casa. Olhando para seu retrato, ela ouve novamente os pedidos de perdão. Quis brigar, mas não pôde. Foi esquentar seu prato.
(Baseado em Com açúcar, com afeto, de Chico Buarque. Na voz da Nara Leão ou da Fernanda Takai.)
11 de setembro
O dia 11 de setembro ficou eternizado em 2001 com os atentados terroristas ao World Trade Center e ao Pentágono. Há, inclusive, quem diga que o século 21 começou nessa data. Talvez seja verdade.
Pra mim, o dia dos atentados foi também importante. Eu realmente era bem informada sobre o que andava acontecendo pelo mundo e gostava de política internacional. Mas, o que marcou mesmo, não foram os milhares de mortos, e sim a minha decisão de seguir a carreira diplomática. Sim, olhando para aqueles aviões entrando nas torres centenas de vezes! Achava que reunia características valiosas para a carreira e queria fazer alguma coisa. Uma pena que, anos depois, tenha mudado de idéia.
Contudo, de novo em um 11 de setembro, só que em 2006, minha vida mudou mais uma vez. De maneira mais sutil e vagarosa, é verdade. Mas o dia até contou com uma ajuda profética da "sorte de hoje" orkutiana!
Ontem, outra vez, vi mudanças. Mas essas precisam de distanciamento temporal pra serem comentadas...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Por enquanto
Na voz da Cássia, por favor.
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí, então, estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar,
Agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa
(Renato Russo. Por enquanto)
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí, então, estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar,
Agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa
(Renato Russo. Por enquanto)
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Pausa 2
É importante ressaltar que o passo seguinte à pausa é a ação.
Então, se o primeiro problema é reconhecer o momento para parar e contemplar, o segundo problema consiste em saber quando retomar o movimento, ou, algum movimento. E é preciso voltar a agir alguma hora.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Hipótese
E se Deus é canhoto
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.
(Carlos Drummond de Andrade. Hipótese)
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.
(Carlos Drummond de Andrade. Hipótese)
domingo, 7 de setembro de 2008
Meu irmão é filho único
Meu irmão é filho único (Mio fratello è figlio unico - Itália/França, 2007), de Daniele Luchetti, traz a Itália dos anos 60 e 70 através dos irmãos Accio (Elio Germano) e Manrico (Ricardo Scamarcio).
Accio é o mais novo de três irmãos e filho de operário industrial. Começa o longa estudando num seminário, mas sua personalidade contestadora e um tanto rebelde já é imponente. Acaba desistindo da vida religiosa, porém, quando volta para casa, nem espaço para dormir tem mais. A falta de cama sinaliza para o fato do caçula ser um deslocado na família majoritariamante comunista. Tanto que acaba se juntando à Juventude Fascista.
Seu contraponto na vida é o irmão mais velho, Manrico. Ele é carismático, galanteador e luta pelas causas comunistas, e é assim que conhece Francesca (Diane Fleri), que se torna o terceiro vértice do triângulo.
O filme tem aquela comicidade tipicamente italiana, mas guarda certa melancolia. Luchetti se propõe a mostrar as bandeiras hasteadas - e queimadas - naquelas décadas, mas não quer defender ou acusar ninguém. Como quase todo bom filme italiano, fala sobre família. Daquele jeito que só as italianas conseguem ser.
sábado, 6 de setembro de 2008
The scientist
(...)
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
I'm coming back to the start
(Coldplay. The scientist)
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
I'm coming back to the start
(Coldplay. The scientist)
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Pausa
Estou quase chegando à conclusão de que essa história de saber viver não é a grande sacada da vida, como dizem as correntes de apresentações de slides, os best-sellers de auto-ajuda ou aquelas pessoas sempre dispostas a aconselhar. Não, não discordo de que toda essa coisa de viver hoje, apreciar as pequenas coisas bonitas, tornar o cotidiano mais leve, ter consigo as pessoas queridas, (e toda uma lista indizível) seja importante. Tudo isso contribui para que nossa balança tenha saldo positivo no fim do dia e, se não tiver, ainda é possível que se extraia um aprendizado dele.
Mas tenho prestado ao segundo dogma preferido dos já citados slides e best-sellers: o tempo. Só não gosto de como o tema é tratado. Não acho que o tempo faça milagres. Simplesmente você é que escolhe ficar sofrendo o resto da vida por uma decepção, perda ou frustração (que, no fundo, são o mesmo: as coisas não saíram como você queria), ou, ao contrário, em algum momento se cansa dessa dor e resolve continuar andando. Aí, amigo, o tempo não fez nada; você que fez.
Na verdade, tenho pensado no tempo não como vivência, mas como pausa. Não, o mundo não pára de girar quando bem entendemos, mas podemos (e devemos) congelar algumas partes por certos períodos. Esse intervalo serve para olhar pro acontecido e fechar um ciclo, para que outro possa ser iniciado. É só essa consciência de que um ciclo se fecha para que outro se abra que legitima o papel do tempo na nossa vida. Por isso a pausa.
Em geral, não lidamos bem com lacunas, pausas, brancos, vazios. São carregados de valores negativos. Mas permitem que sua atenção não esteja ocupada demais com outras atividades ou seres e possa reparar nos acontecimentos. De fato, nem acho que se deva ficar pensando nos problemas. Mas, se alguma coisa vai mal, pause esse setor. Olhe para a cena (ou cenas) congelada e se pergunte se alguma coisa pode ser feita com relação a ela. Não? Continue.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Correspondências
(...) não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma.Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias.
Depois de uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades, depois disso fica-se um pouco um trapo. Eu queria tanto estar junto de você e conversar, e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. (...) Para me adaptar ao que era inadaptável (...) tive que cortar meus aguilhões, cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. (...)
Não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Minha irmãzinha, ouça meu conselho, ouça meu pedido: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver.
(Clarice Lispector. Correspondências)
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Rezando
Se você pedisse paciência a Deus, Ele lhe daria paciência ou uma oportunidade de ser paciente? Se pedisse coragem, Ele lhe daria coragem ou uma chance de ser corajoso? Ainda, se pedisse força, Deus lhe daria força ou uma oportunidade de ser forte?
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