domingo, 30 de novembro de 2008

Tous les garçons et les filles

Um pouquinho de melancolia na voz da Françoise Hardy, já que as lentes tingidas com drama e paixão têm se mostrado mais interessantes ultimamente.


Tous les garçons et les filles de mon âge
Se promènent dans la rue deux par deux
Tous les garçons et les filles de mon âge
Savent bien ce que c'est d'être heureux

Et les yeux dans les yeux, et la main dans la main
Ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain
Oui, mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
Oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime

Mes jours comme mes nuits
Sont en tous points pareils
Sans joies et pleins d'ennuis
Personne ne murmure "je t'aime" à mon oreille

Tous les garçons et les filles de mon âge
Font ensemble des projets d'avenir
Tous les garçons et les filles de mon âge
Savent très bien ce qu'aimer veut dire

Et les yeux dans les yeux, et la main dans la main
Ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain
Oui, mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
Oui, mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime

Mes jours comme mes nuits
Sont en tous points pareils
Sans joies et pleins d'ennuis
Oh! Quand donc pour moi brillera le soleil?

Comme les garçons et les filles de mon âge
Connaîtrais-je bientôt ce qu'est l'amour?
Comme les garçons et les filles de mon âge
Je me demande quand viendra le jour

Où les yeux dans ses yeux, et la main dans sa main
J'aurai le coeur heureux sans peur du lendemain
Le jour où je n'aurai plus du tout l'âme en peine
Le jour où moi aussi j'aurai quelqu'un qui m'aime

(Françoise Hardy & Roger Samyn. Tous les garçons et les filles)

sábado, 29 de novembro de 2008

Memórias do subsolo 3

As dignas formigas começaram pelo formigueiro e certamente acabarão por ele, o que confere grande honra à sua constância e caráter positivo. Mas o homem é uma criatura volúvel e pouco atraente e, talvez, a exemplo do enxadrista, ame apenas o processo de atingir o objetivo, e não o próprio objetivo. E - quem sabe? -, não se pode garantir, mas talvez todo o objetivo sobre a terra, aquele para o qual tende a humanidade, consista unicamente nesta continuidade do processo de atingir o objetivo, ou, em outras palavras, na própria vida e não exatamente no objetivo, o qual, naturalmente, não deve ser outra coisa senão que dois e dois são quatro, isto é, uma fórmula; mas, na realidade, dois e dois não são mais a vida, meus senhores, mas o começo da morte. Pelo menos, o homem sempre temeu este dois e dois são quatro, e eu o temo até agora. Suponhamos que o homem não faça outra coisa senão procurar este dois e dois são quatro: ele atravessa os oceanos a nado, sacrifica a vida nesta busca, mas, quanto a encontrá-lo realmente... juro por Deus, tem medo. Bem que ele sente: uma vez encontrado isto, não haverá mais o que procurar. (...) Ele ama o ato de alcançar, mas, alcançar de fato, nem sempre. E isto, está claro, é ridículo ao extremo. Numa palavra, o homem está arranjado de modo cômico; em tudo isto, provavelmente, há um trocadilho. Mas dois e dois são quatro é, apesar de tudo, algo totalmente insuportável.

(Fiódor Dostoiévski. Memórias do subsolo. pp. 46-47)

Pessoas boas e más

As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais.

(Woody Allen)

domingo, 23 de novembro de 2008

Memórias do subsolo 2

Pensai no seguinte: a razão, meus senhores, é coisa boa, não há dúvida, mas razão é só razão e satisfaz apenas a capacidade racional do homem, enquanto o ato de querer constitui a manifestação de toda a vida, isto é, de toda a vida humana, com razão e com todo o coçar-se. E, embora a nossa vida, nessa manifestação, resulte muitas vezes em algo bem ignóbil, é sempre a vida e não a extração de uma raiz quadrada. Eu, por exemplo, quero viver muito naturalmente, para satisfazer toda a minha capacidade vital, e não apenas a minha capacidade racional, isto é, algo como a vigésima parte da minha capacidade de viver. Que sabe a razão? Somente aquilo que teve tempo de conhecer (algo, provavelmente, nunca chegará a saber; embora isto não constitua consolo, por que não expressá-lo?), enquanto a natureza humana age em sua totalidade, com tudo que nela existe de consciente e inconsciente, e, embora minta, continua vivendo.

(Fiódor Dostoiévski. Memórias do subsolo. p. 41)

sábado, 15 de novembro de 2008

Gostar

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter; ter deve ser a pior maneira de gostar.

(José Saramago)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Eternidade

Que seja eterno enquanto dure.

Memórias do subsolo

Dizei-me: de que pode falar um homem decente, com o máximo prazer?
Resposta: de si mesmo.
Então, também vou falar de mim.

(Fiódor Dostoiévski. Memórias do subsolo)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

As cidades invisíveis

(...) aquilo que ele procurava estava diante de si, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.
Marco entra numa cidade; vê alguém numa praça que vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça. Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa. Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
- Você viaja para reviver o seu passado? - era, a esta altura, a pergunta do Khan, que também podia ser formulada da seguinte maneira: - Você viaja para reencontrar o seu futuro?
E a resposta de Marco:
- Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá.

(Italo Calvino. As cidades invisíveis. pp. 28-29)

100

Pela centésima vez escrevo alguma coisa aqui achando, pela centésima vez, que valha a pena alguém ler aquilo. Nem que "alguém" signifique os poucos que habitualmente vêm por outras vias (que não esta) dizer que pararam pra pensar, ao menos por uns segundos, no texto que postei.
Antes de criar este mundo paralelo, me perguntei muito se eu escreveria algo que alguém quisesse ler. Ou se alguém quisesse saber o que se passa na minha cabeça. Ou se o que anda tirando meu sono tira o de outrem. Ou se o que achei interessante, importa a outra pessoa.
Sinceramente, depois desta centena de vezes, ainda não tenho uma resposta. Às vezes acho que as minhas questões, simplesmente por serem humanas, são as questões de outros também. Mas algumas vezes acho que o aqui dentro não interessa a ninguém.
Mesmo assim, como disse Clarice (há uns posts atrás), quem escreve não quer mudar nada. Só se quer desabrochar mesmo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Amizade nietzchiana

As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.
(Friedrich Nietzche. Humano demasiado humano)

Nomes

Desde que me entendo por gente, me pergunto se uma cadeira é uma cadeira ou esse é só um nome que damos pra uma coisa no mundo. Até porque o que chamamos de cadeira os ingleses chamam chair, os espanhóis silla e os franceses chaise.
Ultimamente vejo que dar nome às coisas é mais fundamental do que se pensa. Nomear implica estar familiarizado com aquilo, conhecer. E também significa determinar, ou seja, dar aquele nome específico em detrimento de todos os outros nomes, é escolha.