Passou-lhe pela cabeça: talvez aquele pudim de leite, receita da avó, o mantivesse em casa. Era tudo o que ela queria, tê-lo com ela. Seria o doce, disse olhando para o marido que sorria pendurado na parede.
Todos os dias ele saía operário e voltava vagabundo. A busca pelo pão era sempre interrompida por um amigo que o chamava para mais uma, e outra. E eram tantos os bares nesse caminho... Quaisquer motivos eram motivos para comemorar.
E as saias, quantas saias! Passando com a pele dourada e o frescor da brisa... E ela ali, preparando o jantar. O samba cessa alguma hora, é preciso feijão e, talvez, açúcar então.
Eis que volta à casa. Olhando para seu retrato, ela ouve novamente os pedidos de perdão. Quis brigar, mas não pôde. Foi esquentar seu prato.
(Baseado em Com açúcar, com afeto, de Chico Buarque. Na voz da Nara Leão ou da Fernanda Takai.)
Um comentário:
"qual o quê"
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