segunda-feira, 14 de julho de 2008

Hoje entendi o senhor Forrest Gump. Saí caminhando – e não correndo – por aí para não pensar. Queria simplesmente andar e sentir o sol quente e o ar frio sobre a pele. Nada de buscas, questionamentos, desejos ou tristezas: era só eu mesma, de cabeça vazia e peito apertado. Caminhar fazia sentido, porque era eu ali me movimentando sem destino e observando o mundo parado ao meu redor. Ainda queria me cansar, a fim de que, esgotada, não sentisse mais nada. Coisa extraordinária alguma aconteceu no percurso, e essa foi a melhor parte.
Continuei pensando em nada enquanto nada acontecia, quando o vento parou de purificar e passou a só jogar meus cabelos sobre os olhos. Então decidi voltar. Percebi que deveria encarar a fonte do aperto, pois ele não iria embora sozinho naquelas circunstâncias. Foi então que bati à porta e tudo ficou claro: eu não pertencia àquele lugar. Não sem dor, vi que há coisas na vida que não dependem de nós. Podemos querer, devemos querer, mas a escolha não é (só) nossa.
Disseram-me, outro dia, que se pode ter o amor em si mesmo e, mais ainda, se pode dar esse amor. Se o destinatário dele não o aceitar, você continua possuindo-o, apesar de tudo.
Com o aperto ainda aqui, mas com a alma lavada, tive carona pra casa. Experimentei a sensação de dever cumprido e lavei meus tênis brancos sujos de terra vermelha.

(12.07.2008)

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