Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
(Chico Buarque. Futuros amantes)
2 comentários:
e como todo carrossel, o ciclo aparece e o escafandrista ressurge das águas profundas.
no dia que levei a sério essa música e a li com calma, descobri que é uma das mais tristes do Chico. a coisa toda gira em torno - como um carrossel - na comunicação interrompida. estão todos lá: o rapaz que escreveu a carta, a moça que não recebeu, o escafandrista explorando desvãos e o sábio tentando decifrar antigas palavras. porém, como num carrossel, um não atinge o outro, estão sempre a mesma distância. ninguém ama, ninguém é amado, ninguém acha e ninguém entende.
Ninguém melhor que o padrinho pra explicar a razão de ser desse blog...
O carrossel que possui um movimento estático com seus cavalinhos que sobem e descem. O escafandrista que desbrava novos meios sem pertencer a eles de verdade. Um ciclo que sempre traz mudanças e a dinâmica da rigidez.
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