(...) o espaço da galeria moderna como "construído segundo preceitos tão rigorosos quanto os da construção de uma igreja medieval". O princípio fundamental desses preceitos (...) é o de que "o mundo exterior não deve entrar, de modo que as janelas geralmente são lacradas. As paredes são pintadas de branco. O teto torna-se a fonte de luz (...). A arte é livre, como se dizia, 'para assumir vida própria'". O propósito desse ambiente não difere do propósito das construções religiosas - as obras de arte, como as verdades da religião, devem parecer "intocadas pelo tempo e suas vicissitudes". O princípio de aparência extemporânea, ou atemporal, implica a pretensão de que a obra já pertence à posteridade - quer dizer, é uma garantia de bom investimento. Mas ele afasta as coisas da contemporaneidade da vida, a qual, afinal, se desenrola no tempo. "A arte existe numa espécie de eternidade de exposição e, embora haja muitos 'períodos', (...) não existe o tempo. Essa eternidade dá à galeria uma condição de limbo; é preciso já ter morrido para estar lá".
(Thomas McEvilley. In: Brian O'Doherty. No interior do cubo branco)
Um comentário:
é a dificuldade que o homem tem em entender aquilo que muda, transforma-se. é preciso matar as borboletas para estudá-las, apreciá-las. é preciso que o homem morra para santificá-lo. o universal, o grande leviatã cristão, venceu.
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